segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Caco Barcellos e Eu.

Fui à feira Panamazônica do livro aqui em Belém/PA para presenciar o encontro literário com o jornalista Caco Barcellos. Adentrou em um auditório lotado que já o aguardava, simples e simpático, trajando uma calça jeans, uma blusa branca e uma mochila, sublime.

Passei a acompanhar o trabalho do Jornalista ano passado, após ler suas duas obras: O ABUSADOO dono do morro dona marta e ROTA 66- A história da polícia que mata. Desde então passei a admirá-lo como ser humano, poucos são os homens que crescem e aprendem esse ofício com brilho e grandeza, alguns homens nunca evoluem, são eles, em sua maioria, que nos remetem a pensar que não passamos de animais, àqueles, os da pior espécie.

Caco conversou sobre os seus livros e citou alguns índices de violência urbana. Após uma pesquisa dos assassinatos ocorridos nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, ele descobriu uma coisa curiosa, os latrocidas matam em torno de 5%, depois deles vêm a polícia com um percentual nada menor do que 40%, seguido do Homem médio, que é o que mais comete assassinatos. O homem médio é aquele cidadão passional, que nunca cometeu um crime na vida, é aquele homem cujo ninguém espera  sacar um revólver no trânsito e disparar em alguem que o ultrapassou, ou que bateu em seu veículo, por exemplo. É o namorado enciumado, o goleiro, a mulher traída, o invejoso, é o homem ao qual você nunca esperaria tal atitude, é ele quem comete as maiores barbáries que se veícula diariamente nos noticiários e é a ele quem devemos temer todos os dias.

Ovacionado após responder perguntas do público, Caco, gentilmente se prontificou a atender todos, um a um, autógrofos e fotos. Entrei em uma fila carregando meus dois livros, como reza a cartilha. Então surgiu um rapaz na minha frente, ignorando minha existência como se bosta eu fosse, nem bosta, porque bosta fede, ele teria me notado, mas enfim, lá o rapaz se portou e eu abri minha boca para lembrá-lo que existia uma fila, ahhhh pra quêêê? Havia uma moça que eu só descobri que não era muda porque ela ousou a me responder desaforadamente. A dita estava guardando o lugar dele, mas como eu não tenho bola de cristal, tinha que pressupor que aquele idiota que não era MUDO estava tendo o lugar reservado por uma imbecil, aí não prestou,

- Ei, não ta me vendo ou vendo a fila não? O rapaz não respondeu e a dita retrucou:
- Ele não precisa, TU não ta me vendo não?
- Grandes merdas eu está te vendo ser supremo paladino, as pessoas pedem licença, e se ausentam-se da fila, é no mínimo cordial da parte delas se justificarem quando então retornarem.
- Ah, agora era só o que me faltava ter que te dá explicação se eu entrou ou saio de uma fila. ô gente mal educada.
- A pessoa entra rente a mim, que estou aguardando antes dela, não avisa nada, me ignora, então tenho eu que adivinhar que ela não está furando e quando questiono sou a mal educada? Mal educada é você sua juvenil!
- cococoricó cócócócó... (nessa hora eu puxei um espelho da bolsa, me olhei, retoquei a maquiagem e quem a ignorou foi eu) O mais legal e justo, foi que eu ainda passei na frente deles, pois os que possuiam os livros tinham prioridade.

EU ODEIO PROFUNDAMENTE o furador de fila, já passei por outras situações que renderam inúmeros barracos. Posso está com pressa, mas sei esperar sem reclamar horas a fio numa fila e não admito em hipótese alguma ver alguém dando uma de espertinho. Nessas horas dá para aceitar o fato do Homem médio ser o maior assassino de todos os tempos, se eu tivesse minha glock, teria colocado na testa dela e a mandado calar aquela boca podre, sem mais. 

Caco conversou brevemente comigo sobre a feira, seus livros, a origem do meu nome, e sobre a cidade. Finalizo com a minha foto, óbvio, eu jamais disponibilizaria meus livros autografados para vocês.


8 comentários:

Duda disse...

infelizmente, a gente acredita que pessoas que frequentam uma feira do livro, possuem uma certa educação, digo não só enquanto educação escolar ou acadêmica, mas a de ser cordeal que saiba conviver em comunidade respeitando determinadas convenções sociais. Doce ilusão essa nossa, porém ter ao menos que seja 1 minuto ao lado de um jornalista e agora escritor Caco Barcellos, acho que passarias por isso tudo de novo e, é claro que se tu também não tiveres alguma atitude em relação a isso, não seria você meu bem...

Nega disse...

Ora vejam vocês!

O povo vai a feira do livro para passear, se exibir, assistir a um show, aí, depois, quem sabe, comprar um livro para servir de apoio para a mesinha do ventilador.

Eu não tolero a má educação, a educação de ninguém é pressuposto para eu agir de maneira infeliz para tirar proveito de uma situação ou de alguma pessoa, porque educação é uma questão de princípios, muito além daquele velho bom dia que se dá ao motorista de onibus.

Quanto ao Caco, ele é lindo, por dentro e por fora, quero casar com ele.

Klewerton disse...

Menina, a gente faz assim, manda logo a pessoa que furou a fila tomar no cu! E ainda repete! E tenho dito! (Q horror! Q baixaria... kkkkkk!"

Camila disse...

Mana, vi o Caco Barcellos num hotel onde trabalhei. Fiquei besta quando vi o homem passar: jeans normal, blusa normal, sorriu e cumprimentou as recepcionistas. Muito longe de ser que nem os pseudo-reis e rainhas da TV que a gente vê por aí. Ganhou minha simpatia imediatamente.
Quanto aos furões de fila, vejo esses como pequenos aproveitadorezinhos. Querem surrupiar a vez na fila, surrupiar o troquinho da padaria, surrupiar na conta rachada entre amigos. Espertalhõezinhos, querendo se dar bem em cima de tudo e de todos. Pq né? Se a pessoa tem a cara de pau de passar na frente de uma fila imeeeensa, ela vai ter brios de fazer o quê nessa vida, minha gente?

Abraço pra ti Neguinha!

Dan disse...

UEHuaheuheuHA...

To pensando em virar jornalista... O cara tem 2 diplomas e nunca mais vai precisar deles.

O Ruminante disse...

To com medo de ver vc com uma arma na mão senhoria, vc tem cara que manda bala mesmo. Imagino de TPM!

Bjos e estou tentando voltar a escrever.

O ANTI-HERÓI CONTEMPORÂNEO disse...

Só uma coisinha me deixou em dúvida: o latrocínio não seria 50% ao invés de 5% ????? Pq então com 40% da polícia e 5% do latrocínio e do assassino passional teríamos 45%, e o resto??????

Também presumo que você tenha se referido apenas aos homicídios dolosos, pq só as mortes culposas no trânsito já teríamos um índice de verdadeira guerra civil.
Bjs....vc anda sumida

Nega disse...

Exatamente! Os crimes passionais são os maiores. E me refiri sim aos crimes dolosos.