quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ping Pong

Meu também chegado Ruminante (acreditem, não sei o nome dele), lá do Ruminamentos me intimou a responder essa espécie de Ping Pong. Diferentemente dele, minhas respostas só terão uma versão: a versão sóbria.

1- Há 10 anos
Estava na 5° série do fundamental. Gostava de chiquititas e ralava na boquinha da garrafa com é o tchan. Ah, também gostava do carrinho de mão do Terra samba e era feliz pra caralho!
Já beijava na boca.

2- Há Cinco anos
Unida de uma forte amizade que perdura até o presente instante, eu era uma das maiores ameaças a rebelia do colégio pequeno burguês onde cursei meu ensino médio. Com uma média de 7.00 pts para passar de ano, fiz muita vergonha aos meus pais, não por médias baixas, nunca reprovei, apesar de viver no comando vermelho referente às disciplinas de biologia, química e física. Entretanto, meus tutores eram chamados ao colégio por eu representar uma liderança, uma liderança do mal, denominada pelo próprio dono da instituição, pela diretora, pelo então coordenador do ensino médio, a  psicóloga de soberba utilidade, o professor de SOE e meu futuro coordenador do convênio (Juro que não me orgulho disso).  Minhas rebeldias não incluiam depredação, nem falta de respeito com nenhum professor. Com exceção de um, absolutamente todos gostavam de mim e por incrível que pareça, os mais chegados mantém contato comigo até hoje.
Naquela época já sabia que queria cursar Direito, longe de estudar para passar no vestibular, estudava para passar de ano e olhe lá. Todavia, como minha permanência na instituição no ano seguinte dependia de um termo de compromisso meu, tive de assinar que me comportaria bem no convênio/3° ano do ensino médio. Assim o fiz.


3- Há dois anos
Já cursando Direito em uma universidade privada, e quase ou senão na mesma moleza de sempre, não fiz muitas amizades sólidas e aprendi com maestria a perder meu tempo, tal como perco com a internet. Entrei na arte da marotice e virei pegadora, nada sólido, tudo muito volúvel.

4- Há um ano
Muito thuthuquinha, com meus 1,74 de altura, cabelos falsos e longos, detentora de um corpo modelo para pedreiro e toda a classe operária e autônoma, passei a me tornar o centro das atenções  e desde então venho recebendo propostas indecorosas das mais diversas. Não fiz muitas coisa de útil nesse período, mas comecei a me dedicar minimamente a algo: concursos públicos. Curtia um chifre legal, uma dor de corno dos infernos, uma vontade de agredi alguém e ouvia A letter to elise - the cure quase todos os dias.


5- Ontem
Findei aos risos O capitão do longo curso de Jorge Amado e iniciei o ABUSADO, do jornalista Caco Barcellos. Me encontro completamente fascinada pela história do Traficante Juliano VP, pretendo voltar aqui e escrever algo quando terminar a leitura na íntegra.
Falei sacanagens com Alessandra e também andei seduzindo homens do mar pelo MSN, ainda que eu não esteja pegando ninguém.

6- Amanhã
Estarei estudando para as provas do final do mês.

7- Cinco coisas sem as quais não posso viver
Caráter, discernimento, sanidade, senso do que é justo e amor

8- Cinco coisas que eu compraria com Mil reais
Um celular novo ou uma lista de livros que anseio obter como A incrível e triste história de cândida erêndida e sua vó desalmada (Gabo),  Suor (Jorge Amado), Obra seleta (João Ubaldo Ribeiro), livros acadêmicos, ou uma jóia para minha mãe do São José liberto, ou, um microssistem novo para meu pai, ou o barbeador elétrico do meu irmão. Enfim...

9- Cinco maus hábitos
Estudar na véspera, falar demais, falar de menos, diminuir pessoas em pensamentos sorumbáticos e possuir um ego inflamado.

10- Três coisas que me assustam
Falta de esperança, ausência de caráter e violência

11- Três coisas que estou vestindo nesse momento
Uma calcinha velha, uma blusa manchada e um short leve de pijama.

12- Cantores/bandas favoritas
Desde que eu tenha o rock. Nacional, cito Paralamas e toda a corja do rock anos 80, internacional fico com The Cure e The Killers.

13- Três coisas que realmente quero agora
Abandonar a preguiça e o desestimulo permanente de minha vida inútil já me faria bem feliz. 

14- Três lugares onde quero ir nas férias
Fortaleza, Alter do chão e Poa, exatamente nesta ordem.

15- Pessoas escolhidas:
Anderson do bebadogozo hahaha
Nazareno
Melk (há dois meses desaparecido)
Camila (de manaus e recentemente comentarista assídua por essas bandas tolas)

OBS: QUALQUER DOS SELECIONADOS QUE NÃO RESPONDER  À CORRENTE MALDITA FICARÁ CEGO, SURDO, MUDO, VESGO E TETRAPLÉGICO.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A vida não é nada.



Era meu batizado com o carro de minha mãe, depois de arranhar e desalinhar o párachoque, dando seguida a uma sequência de erros crassos, eu e minha amiga Alessandra fomos abordadas por jovens ladrões armados, um deles na janela dela, o outro, com a arma, batia na minha.

Retornávamos de um churrasco, lá onde eu havia conseguido arranhar e desalinhar o párachoque pós uma ré mal sucedida. Liguei para meu então amigo de todas as horas, Victor, ele me esperaria em casa para tentar solucionar o problema, e assim, o fez.

Com a mudança de sentido no trânsito em virtude da recém inaugurada rotatória da Av. Júlio Cézar, por um equívoco que mais tarde resultaria no maior susto que uma pessoa pode ter, entramos na Pedro Álvares Cabral (Rua com índices altíssimos de violência urbana em Belém). Estávamos cientes de que corríamos perigo, em pleno domingo, duas mulheres sozinhas em um carro caro, mas apesar de tudo, seguimos atentas e tranquilas, ainda nos lamentávamos pelo churrasco sem carne e pelo paráchoque do carro. Foi, então, que decidimos ir à casa de outro amigo nosso, Eduardo, era na própria Pedro Álvares Cabral e ele nos levaria à casa do Victor sem que a gente precisasse errar mais alguma rua, porém, o mesmo não estava em casa. Ligamos para o Victor e ele nos indicou um caminho para sairmos de lá e chegarmos logo a casa dele. Erramos novamente  e numa parada infeliz na rua Djalma Dutra, cheia de pessoas, famílias rente a porta de suas casas conversando, transeuntes na rua, uma casa ou um bar de esquina abarrotado de homens e mulheres e aqueles dois infelizes roubando a gente.

Fiquei em pânico, não tive reação alguma, não baixei minha janela, mesmo vendo um dos ladrões batendo com a arma de fogo, não tirei os olhos dela e só ouvia os gritos deles. Minha amiga teve uma serenidade de Deus e tentou acalmá-los: "Calma, por favor, tenham calma, a gente vai entregar tudo, mas não façam nada com a gente, calma, tenham calma... vou soltar o cinto e pegar o celular, a bolsa e o que quiserem, mas tenham calma..." "bora bora, passa as bolsas, dinheiro, bora..." Só nossos celulares estavam à mãos, entreguei a ela o meu, o dela caiu e ela avisou que iria soltar o cinto e pegá-lo, e assim foi feito. Os homens que estavam ali já estavam todos de pés observando, todas as pessoas por perto eram tão inertes quanto à gente naquele momento e quando minha amiga foi entregar sua carteira, na pressa, caiu no chão, os bandidos correram deixando a carteira por lá mesmo e com dificuldade nós arrancamos com o carro daquele inferno. Em menos de cem metros de onde tinha ocorrido tudo, minha amiga vendo meu estado, pediu para levar o carro e trocamos rapidamente de lugar. Dois homens que estavam naquela casa cheia vieram nos seguindo em um carro, pedindo aos berros que parássemos. As pessoas da rua conseguiram chamar nossa atenção, então paramos. Era a carteira da Alessandra, aquela mesma que havia caído no chão. Devolveram intacta, inclusive com o dinheiro que havia nela.

No retorno, enquanto eu chorava entre soluços, ela não derramava uma lágrima e tentava me tranqüilizar a todo custo, estávamos bem e logo estaríamos em casa.

Há quem diga e quem pense que não foi ingenuidade nossa, foi pura burrice mesmo, não tínhamos nada que ter nos metido por aquelas bandas numa tarde de domingo, mas nos metemos, e o carro caro, os celulares e todos os nossos pertences não são absolutamente nada, tal qual a nossa vida, é, essa mesma, tão cheia de labor, ela é banal e pequena. A vida não é nada. Nem a minha, nem a da minha amiga, nem à sua, ou as dos próprios ladrões, essas então, nunca existiram. Você só se dá conta disso, quando vem alguém pra te provar que pode brincar com ela, com a sua vida.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Jó 3:17-26; 14:7-14

Ali os maus cessam de perturbar; e ali repousam os cansados.

Ali os presos juntamente repousam, e não ouvem a voz do exator.
Ali está o pequeno e o grande, e o servo livre de seu senhor.
Por que se dá luz ao miserável, e vida aos amargurados de ânimo?
Que esperam a morte, e ela não vem; e cavam em procura dela mais do que de tesouros ocultos;
Que de alegria saltam, e exultam, achando a sepultura?
Por que se dá luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus o encobriu?
Porque antes do meu pão vem o meu suspiro; e os meus gemidos se derramam como água.
Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu.
Nunca estive tranqüilo, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação...
Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos.

Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó,
Ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta.
Porém, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então onde está ele?
Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota, e fica seco,
Assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus, não acordará nem despertará de seu sono.
Quem dera que me escondesses na sepultura, e me ocultasses até que a tua ira se fosse; e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim!

Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias de meu combate esperaria, até que viesse a minha mudança.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tudo Puta e Viado!


Há algumas semanas uma estudante foi agredida verbalmente pelos alunos da universidade em que estudava. O motivo se dera num vestido curto que subia no corpo da jovem enquanto esta seguia numa espécie de rampa, rumo à sala de aula.

Li inúmeras crônicas a respeito dessa situação de relevância nacional em muitos jornais e sites, e nenhuma delas mudou minha singela e nobre opinião: Tudo puta e viado, mamãe, tudo puta e viado!

Agora falando sério pessoal, ainda que a jovem fosse o que a acusaram de ser, ninguém tinha o direito de sair por aí como se rei fosse e a acusasse como se em uma monarquia estivesse, ora vejam!



Sempre usei shorts, bermudas e saias, porém, como sou detentora de uma bunda anormal, quando trajo uma dessas peças, chama mais atenção do que deveria, e eu nem me importo, adoro ser miss de pedreiro, miss de periferia, miss banha, miss tudo! Desde que não me faltem com respeito, o que eu não posso, é deixar de me vestir como bem entendo só porque o mundo não está preparado para o tamanho da minha bunda.


Tudo bem que eu deva me trajar como pede o ambiente, sabe-se lá cargas d'água por quê, um dia, há tempos, em 1900 e puta merda, roupa era sinônimo de algo, dinheiro ou a falta dele, putice ou candura, seja lá o que for, em pleno século XXI, tempos de vacas gordas e cheias de celulite, o meu traje e o seu, ainda continua sendo sinônimo de algo, ainda que seja de algo cafona.


No caso da jovem, faltou decência. Decência dela, decência dos alunos, decência da universidade que posteriormente a puniu, decência minha, que estou aqui chamando a todos de indecentes e decência sua, é, decência sua, ser, cujo não pode presenciar uma situação dessas e já age como se na inquisição estivesse.


É o que minha sábia mãe sempre diz: "...minha filha, você até pode ser puta, mas antes, seja uma doutora, pois sendo puta e doutora, só vão chamá-la de doutora" Ok. Então vamos ser só doutores né pessoal? hahaha


Obs: Palavras de mamãe não têm absolutamente nada a ver com a minha realidade.

domingo, 8 de novembro de 2009

"e, o meu coração arrasado, amará você..."

SIMPLESMENTE AMOR

Um filme doce. Posso assisti-lo tantas e tantas vezes e todas elas enobrecem meu coração juvenil como se fosse a primeira vez.

Disponibilizarei a parte da qual gosto mais no filme. Dito por um rapaz apaixonado, através de cartazes, na porta da casa da moça casada com seu melhor amigo:
"Com sorte, no ano que vem
estarei saindo com uma dessas garotas"
*nessa hora ele mostra um cartaz com fotos de mulheres bonitas*
"mas, por enquanto, me deixe dizer
...sem esperanças, nem planos...
só porque é natal
e no natal se fala a verdade"
"...que, pra mim, você é perfeita!
...e, o meu coração arrasado, amará você até você ficar assim..."
*nessa hora ele mostra um cartaz com uma foto de uma múmia*

Hugh Grant e seus dentes amarelados são uma pitada a mais no filme, mas ele, o filme, é claro, num todo é perfeito, confiram!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Apreciem...



Paulo Nazareno, Jornalista, cronista, artista, autor de um dos Blogs mais talentosos que já tive oportunidade de apreciar e dono de um bigode digno de Emiliano Zapata, nos presenteia com essas tirinhas cheias de humor, fazendo referência ao caso da jovem de 13 anos, estudante de uma escola pública aqui de Belém que foi filmada praticando sexo oral em um outro aluno.

domingo, 18 de outubro de 2009

Um pouco de sensibilidade, sério.


COMO EU TE AMO,
Vou contar as formas:
Eu te amo até a profundidade, largura e altura
que minha alma pode alcançar.
Quando sentindo longe dos olhos pelo objetivo de existir e de graça divina.
Eu te amo ao nível da necessidade mais silenciosa de cada dia.
Ao sol e a luz da vela.
Eu te amo livremente como os homens lutam pelo direito.
Eu te amo puramente como eles se afastam do elogio.
Eu te amo como a paixão existente em minhas velhas mágoas
e com a fé da minha infância.
Eu te amo com o amor que parecia ter perdido com os meus entes perdidos.
Eu te amo com a respiração, sorrisos, lágrimas de toda a minha vida.
Eu te amarei melhor até após a minha morte.
Sally Brown


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Mais de 5 Lugares em Belém para você dá um pé na bunda do seu Namorado

Indignada ao término da leitura do Blog do Loro da doca, onde o autor abordou em seu texto de caráter científico (com direito a pesquisa de campo e tudo) dos 5 melhores locais para se terminar um relacionamento. No texto, o mesmo tratou rasteiramente da fragilidade feminina. Retorno aqui para mostrar a esses bolinhas machistas de plantão, incapazes de perceber que muito distante ao que pensam e sempre pensaram, nunca estão no comando da relação, apenas deixamos que eles acreditem o contrário, por pura caridade, é claro.

Diferentemente ao texto do Loro, não se fez necessário uma pesquisa de campo, como fora realizada respectivamente pelo Anderson Araújo, que namorou 183 mulheres para chegar a tamanho resultado. Irei expor aqui sem grandes dificuldades, que nós, mulheres, aparentemente frágeis, também temos bons lugares para terminar um relacionamento, mais de cinco deles, especificamente 551 lugares para darmos um pé na bunda de qualquer namorado Zé Mané, e o melhor, todos eles com 100% de eficácia e precisão, no entanto não irei citar mais do que os que vocês acompanharão a partir de agora, não por letargia, mas porque me carecerão os caracteres:

1- Terminal Rodoviário de Belém: Ligue para o seu namorado do terminal, poucos minutos antes de você partir rumo a salinas na companhia daquelas suas amigas lindas, gostosas, galinhas e porraloucas que seu namorado tanto odeia, e diga a ele sem mais delongas que você está indo curtir esse final de semana na casa do primo delícia de uma delas que eu não preciso nem lembrar, seu namorado odeia mais que tudo. Se isso não for suficiente e ele for correndo estupidamente feito bobo e apaixonado que ele é atrás de você no terminal para te impedir de ir, aproveite o embalo e fale a ele que você está se sentindo muito presa, não é justo ele não confiar em você fazendo essa viagem simples para curtir um pouco as suas amigas putas e drogadas. Chore um pouco, mostre um pouco de dramaticidade, somos boas nisso. Ele provavelmente não vai aceitar suas lágrimas e tudo estará acabado ali, mas caso ele compreenda e te diga que quando você voltar de viagem vocês terão uma conversa séria a respeito dessa situação, fudeu! Ao retornar, reverta com fotos da viagem no seu orkut, muitas delas, todas mostrando que você se divertiu além da conta, se possível, uma fotografia sua com aquele sorrisão do tamanho do mundo pendurada nos ombros do tal primo bonitão da sua amiga. Não coloque legenda, ficará subentendido muita coisa, e se tudo isso ainda não bastar para que ele se convença de que você não quer mais absolutamente nada com ele, confesse que você ficou com 17 caras.


2- Cairu (14 de março com José Malcher): Uma sorveteria tem um clima doce, digno do próprio ambiente. Nesse dia não demonstre nenhuma espécie de alegria, deixa que ele perceba e quando ele lhe indagar a respeito, diga que está com cólica (sempre funciona) e peça para que escolha o sabor do seu sorvete. Ele vai escolher o sabor que você costumeiramente toma, mas especificamente nesse dia mostre que você não gostou da escolha, que justamente naquele dia iria querer outro sabor, ensaie uma discussão sobre a previsibilidade de vocês dois, deixe transparecer que está insatisfeita “não é o sabor do sorvete, amor (sempre o chame de amor, principalmente quando estiver terminando), nem sei se é você ou se sou eu, é tanta coisa na minha cabeça, não sei o que pensar, não está mais dando pra mim...” Em casos cronicos, ele vai chorar feito criança (homens chorando conseguem ser mais histéricos que mulheres) e se ele for esse chorão aí minha amiga, vai ser tenso, o convide a ir na igreja que fica logo em frente e tente persuadi-lo de que a vida continua e que você sabia que o plano era ficarem sempre juntos, mas se ele se entregar será uma tremenda bobagem, e já que você não vai mais estar ali, o que ele pode fazer é cuidar de si e ser feliz.
3- Campus da Universidade Federal do Pará (Guamá): Marque com ele num daqueles bancos de concreto que ficam a beira do rio. Vá vestida de hippie, esteja com aspecto sujo e um bafo dos infernos. Comece a divagar sobre essa nova fase da sua vida, que precisa recomeçar uma nova lua e se desprender de tudo que você tinha por felicidade até o dia anterior. Convença-o que você é uma outra pessoa cheia de magnetismo e que essa sua nova vida é melhor, mais simples, solidária, paz e amor. Teça comentários a respeito da liberdade cujo conhecimento você só está tendo agora e que ele não se encaixa nos planos que os astros enviaram para você, pelo menos não naquele momento. Para finalizar e ser mais convincente, diga que espera sinceramente que vocês se encontrem em outro plano, e que ele supere tudo de valor material na vida dele, porque a partir daquele momento, é tudo o que você mais condena. Caso ele goste das suas falsas idéias malucas e te diga que vai tentar virar hippie por amor a você, puxe um cigarro de maconha e ensaie uma tragada daquelas, serão duas novidades que não vai dá pra engolir, certamente que ele se jogará no rio, sem que ao menos você precise empurrá-lo.
 
4 -Bosque Jardim Botânico Rodrigues Alves: O ambiente é perfeito. Muito verde, muitos animais, muitos caminhos para você sair correndo. Bata o pé e peça para que o seu namorado te dê uma prova de amor, afinal, não custa nada para ele, vocês já estão juntos há tanto tempo e você já viu homens, por muito menos tempo, realizar coisas hollywodianas pela namorada. Ensaie uma decepção caso ele se negue, mas logo ele vai querer fazer algo para que sua cara de boceta melhore. Mande-o pisar na cabeça daquele jacaré que tem abaixo daquela ponte romântica, ou melhor, mande-o entrar na jaula do tigre (do leão também serve), se ele sobreviver, finja uma pata-cega e suma dali.



5- Shopping: Faça ele a presentear, mesmo que isso custe o salário dele todinho, com aquela bolsa Portfolio dos sonhos. Ele fará a compra e se arrependerá na hora, isso será fato certo. Não conseguirá disfarçar o arrependimento nem diante da sua alegria estonteante, ficará abatido, triste, calado, aí quando vocês estiverem na praça de alimentação e você observar que ele está comendo menos do que o de costume, pergunte se o motivo daquilo tudo fora a compra da bolsa, ele negará suando frio, mas você insistirá e começará a chorar, iniciará uma discussão onde colocará o relacionamento de vocês em cheque “Eu não valho o suficiente para ganhar essa bolsa?” Termine tudo, saia chorando do shopping e não esqueça de levar a bolsa, claro.

6- Final de algum campeonato futebolístico onde o time dele do coração seja partícipe: “Amor, vamos terminar, não dá mais pra mim” Fale isso sem medo quando o time dele estiver perdendo, ou nos pênaltis, ele nem vai notar, no máximo irá responder um Tá tá tá. Depois ele vai te procurar, não vai entender o seu sumiço, fale sobre o término naquele dia, aí você aproveita o ensejo e diz que ele é sempre tão egocêntrico que prefere o futebol a você. Nesta opção é regra, você sempre sai como vítima.

7- No quarto dele: Danifique para sempre o Video Game dele. Nem o relacionamento mais sólido do mundo supera tanto.




8- Assistindo Dragon Ball: Afirme que o Picollo é mais poderoso que Vegeta e Goku Juntos e repita que nunca entendeu o porque deles brigarem tanto pelas esferas do dragão.

9- Bodas do casamento dos Pais dele: Use aquele vestido de arrasar, faça aquela escova, ponha aquele salto e já chegue à festa com cara de boceta. Depois que você comer, sente com ele num canto e diga que enquanto se arrumara, você esteve pensando e teve muitas dúvidas sobre o relacionamento de vocês dois. Ele vai perguntar sobre as tais dúvidas, ai você solta: “não sei se quero ter bodas com você... e só o fato de eu ter essa dúvida, já mostra que nosso relacionamento não está legal... o amor dos seus pais, essa festa toda, ta mostrando que não dá mais pra mim.” Porém, é preciso ter muito jogo de cintura. Se ele for um desequilibrado emocionalmente, uma bichinha, começará a dá showzinho na festa dos pais dele, e certamente estará munido de toda a família para tomar as dores, você passará pela maior saia justa da sua vida, e é de seu pleno conhecimento que a idéia principal não é você passar vergonha, apenas se livrar do cidadão. Tenha muita cautela, do contrário sairá como a megera da história e nunca mais será aceita entre aquela gente. É importante que você combine antes com aquela sua amiga, ou com aquele seu amigo, para um deles ir buscá-la quando der determinado horario, até lá você já terá que ter finalizado toda a situação.




Dica: Aproveite o vestido, o salto e os cabelos lisos e saia na mesma noite.

E para finalizar, faço das palavras do
Loro da Doca, as minhas e de todas as meninas, mulheres, gatas garotas que se identificarem com elas: “Caso você preze por relacionamentos, não leve esse blog a mal, só estou tentando criar relações mais harmônicas entre as pessoas...” Afinal, se você foi largado em uma dessas situações, é prova irrefutável de que és um bundão sem medida e nunca mereceu uma mulher tão maravilhosa quanto a sua ex namorada.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Essa gente Careta

Há pessoas quem vêm ao mundo com vocação para serem cagonas. Sei lá, uma personificação do ser imbecil, ou de qualquer outra coisa na estirpe. Algumas dessas pessoas conseguem realizar isso com maestria, gente com dom inerente mesmo, cuja capacidade de se fazer ignóbil é supra-sumo!



Falo dos Pró-Elitistas. Veleidades me incitavam fazia algum tempo a tecer devaneios sobre esta reles. Eles que estão por todas as partes, por detrás de balcões, nos supermercados, no açougue, em seu ambiente de trabalho, escolas, universidades, esquinas, bares, shows, praças, calçadas das ruas, trata-se na verdade da maior praga de todos os tempos, depois do pagode. É aquele seu amigo que só ouve um tipo de música, ou, aquela sua amiga que só assiste a filme europeu, mas também pode se encaixar aquela professora PHD na puta que pariu dominadora de não sei quantos mil idiomas e que adora falar do caralho a quatro de culturas, prazeres e gostos que você nunca ouviu falar, e se já, só em revistas, filmes ou gibis.


Gente que senta em mesa de bar (ah, ia esquecendo, não pode ser qualquer bar, tem que ser um que toque rock. Ah, não pode tocar qualquer rock, tem que ser rock progressivo) e começa a divagar sobre qualquer coisa que não fuja aos seus gostos. Se falar sacanagem, fudeu! E se falar fudeu, também não vai repercutir legal. Às vezes essa espécie de pessoa até se propõe a falar sacanagens ou pelo menos ri de algumas, porém nunca, nunca, nunca mesmo diga que seu pagode do Belo é melhor ou mais divertido do que o Mpb Toquinho dela, até porque essa comparação foi uma tremenda duma puta covardia, tal afirmação poderá ser levada para o lado pessoal e talvez termine até no lado físico.

Essa reles não assiste a novelas e faz questão de dizer isso. Adora conversar sobre literatura alemã, estética, arte, e carrega consigo dúvidas intrínsecas sobre Dado Villa Lobos ter ou não sido o maior compositor de todos os tempos. Adoram humilhar, ridicularizar e ironizar publicamente o que se tem por inferior, quando poderiam guardar para si.

São covardes! Necessitam urgentemente de uma autoafirmação do ‘ser incomum’ porque ser comum é ser trivial e ser trivial tá muito fora de moda, e ser Cult é ser diferente e se destacar dessa pobre massa que rege sobre a terra, é ser único, e ser único é a maior dacuzisse invenção de todos os tempos depois do pagode. Gente careta e torpe incapaz de ri das desgraças da vida só pra se colocar lá em cima, naquele pico escroto, aquele lá, que de superior só tem a fantasia.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

No papel de ré

Quando eu estava com dezesseis anos escrevi em uma página de relacionamentos na internet que meu professor era burro, ovelha negra da instituição e não bastando, ainda o chamei de Diogo Mainardi Paraense.

Então, quase três anos depois, em uma serena sexta-feira de fevereiro, lembro-me bem, fazia um lindo sol, pássaros cantarolavam em minha janela e eu me preparava para sair da inércia que me largava absorta em pensamentos que não iam a lugar algum quando o carteiro bateu em minha porta. "Carta para mim, adoro cartas!". Naquela época havia pessoas bem quistas que estavam distantes. Ao necessitar da minha assinatura para que eu pudesse receber aquele envelope endereçado a mim um tanto quanto grosso observei a logomarca do Poder Judiciário. "Fudeu!" Foi só o que eu consegui pensar naquela hora.



O professor ofendido tomou conhecimento do fato, sabe-se lá como e quando, posto que, tais dizeres estavam em uma página que eu já nem recordava. Isso bastou para que ele entrasse com uma ação de danos morais e materiais contra mim, pleiteando uma pequena bagatela de 60 salários mínimos, uma retratação em um jornal de grande circulação e a retirada imediata das ofensas pessoais do site.

Minha primeira reação vocês já sabem. É o tipo de situação que você nunca imagina que vai acontecer com você, não naquelas circunstâncias. Eu era acadêmica de Direito e sabia o que aquilo poderia significar na minha carreira -ainda iniciada- caso o pedido tivesse sido considerado procedente.

Dei um "printscreen" na página onde estavam as ofensas e as retirei logo em seguida. Reconheci sem esforço algum que não precisaria de nenhuma ordem judicial para tirá-las do ar. Liguei para minha mãe e o mundo caiu quando ela chegou em casa, e de todo o restante dos demais membros da família também. Lágrimas de decepção, desespero e o olhar frustrado e inconsolável do meu pai, só então eu chorei.

Procurei advogados, que a princípio me sugeriram que negasse a autoria dos fatos, as provas eram relutáveis e fáceis de serem questionadas, mas nem fora necessário, antes da 1° audiência de conciliação (serve para saber se as partes querem entrar em acordo antes de encontrar com o juiz, o que não aconteceu), montamos uma defesa toda baseada em verdades, contaríamos apenas com a sorte na esperança que o Togado aceitasse, e ele aceitou. Vou compartilhar convosco parte da tese de defesa: "Agindo da maneira como agiu, data vênia, pretendo pleitear indenização por danos morais de uma jovem que está iniciando sua vida profissional, demonstra cabalmente mais uma vez a índole do contestado.
(...)
A respeito do dano, a doutrina é unânime em afirmar que não há responsabilidade sem prejuízo. A ilegitimidade ou irregularidade da ação, sem dano algum a terceiros, não é suficiente para gerar responsabilidade, mas tão somente, quando for o caso, a invalidade do ato."

Na petição inicial (pedido do autor) o professor alegava ter sido imensamente prejudicado no âmbito profissional e psíquico. Disse ter sofrido prejuízo material, pois outras instituições deixaram de fazer convites em virtude das coisas que eu escrevi - o que nunca fora provado - mesmo porque o conteúdo do site era um tanto quanto inacessível, somando nada menos que 500 páginas de buscas para que minhas palavras fossem encontradas, como eu disse ao Sr. da Toga: "Excelência, ninguém que está a frente de uma instituição séria possui tanto tempo disponível para realizar esse tipo de busca, e o menos provável, com intuito de avaliar um determinado profissional...". Até mesmo o próprio colégio onde fui aluna dele, só tomara conhecimento do feito, porque minha mãe fora até lá certificar o dono da instituição.

Professores, que não a propósito, são meus amigos pessoais até os dias atuais, mostraram solidariedade e sensibilidade diante da situação, não deixando, é claro, de puxar minha orelha, porém, nenhum, repito, nenhum, fora de acordo com àquela atitude intitulada unanimemente como esperta e aproveitadora.


Não possuo bens, sou uma pequena burguesa que vive à custa dos meus pais, com um cartão de crédito na carteira entre estudos e compras fúteis, me enquadro apenas no papel de filha herdeira de um patrimônio cuja soma não é senão o resultado de anos de trabalho árduo e honesto de ambos.

A aventura jurídica teve fim quando o Juiz argüiu que para configurar dano moral, não bastava um mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação, sensibilidade exacerbada. Só devem ser reputados como dano moral a dor, o vexame público, o sofrimento que, fugindo a normalidade, interfira imensamente no comportamento psicológico do indivíduo, causando-lhe aflição, angústia e desequilíbrio em seu bem estar, lesando a sua personalidade e integridade psíquica - o que jamais ocorreu.

Posto isso, o Juiz indeferiu o pedido e extinguiu o processo, foi como se nunca tivesse existido, ao menos no âmbito cível, porque lá em casa ainda sofro retaliações e aconselho você a terminar logo essa leitura, minha mãe é capaz de exigir que esse texto saia do ar imediatamente. Ah, a maldita censura!

Este fato todo ocorrera entre Fevereiro do ano passado até Novembro do mesmo ano, mês da última audiência, onde estive pela última vez no papel de ré, não me deixando intimidar por uma advogada que me afrontava o tempo todo e que, sobretudo, não entendia o porquê de eu olhar nos olhos do juiz e não demonstrar medo. Não que o medo tivesse sucumbido minhas cóleras reprimidas, mas naquele momento fui apenas verdadeira, não menos.

E por falar em verdades, não esperem que eu diga honestamente como me sinto e penso depois de tudo o que ocorrera, pode ser que eu seja processada daqui a dois anos e oito meses, tempo suficiente para eu já possuir algum bem para chamar de meu, nem que seja um namorado, ou um Ipod, vai saber.